O Irão voltou a fechar hoje o estreito de Ormuz, uma das rotas petrolíferas mais importantes do mundo, e os mercados energéticos europeus já acusam o golpe. A tensão geopolítica no Golfo Pérsico fez disparar os preços do crude Brent para níveis que não se viam há vários meses, deixando investidores e empresas industriais a pensar no que vem aí.

Segundo fontes internacionais citadas pela Bloomberg, Teerão ordenou o encerramento da passagem após alegadas provocações navais. O estreito de Ormuz representa cerca de 20% do tráfego petrolífero mundial, o que significa que qualquer interrupção tem consequências imediatas nos mercados.

Como é que o encerramento do estreito afeta os preços da energia?

O Brent crude abriu a sessão em forte alta, a subir mais de 3% na madrugada europeia. Em Lisboa, a Galp Energia viu as suas ações reagirem positivamente no PSI-20, num dia em que o índice nacional acompanhou a tendência de alta nos setores energéticos.

A petrolífera portuguesa, que tem grande exposição aos mercados internacionais, poderá beneficiar do aumento das margens de refinação, mas enfrenta também custos mais elevados nas matérias-primas.

E não é só isso. Os futuros de gás natural na Euronext também subiram, reflexo direto do nervosismo dos operadores europeus que dependem de rotas alternativas para o aprovisionamento energético.

Que alternativas existem para o transporte de crude?

Os traders estão já a calcular rotas mais longas, como a passagem pelo Cabo da Boa Esperança. Isto eleva substancialmente os custos de seguro e transporte — o chamado "frete spot". Na prática, isto traduz-se em:

  • Aumento dos prémios de risco para navios tanque na região

  • Elevação do preço spot do crude nos mercados asiáticos

  • Maior volatilidade nos mercados de derivados petrolíferos

Mas atenção: analistas alertam que o Irão já fez ameaças semelhantes no passado e nem sempre as concretizou. "Isto pode ser mais uma manobra de pressão do que um encerramento efectivo", refere um relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters.

Para o consumidor português, a subida do crude deverá refletir-se nos preços dos combustíveis nas bombas já na próxima semana. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis já alertou para possíveis majorações.

Em resumo, o Irão volta a fechar estreito de Ormuz e o mercado energético global não pode ignorar as implicações. Os investidores com exposição ao setor energético deverão acompanhar de perto a evolução da situação, mas não é por acaso que muitos analistas aconselham prudence nestas horas.