O preço do petróleo Brent registou uma forte escalada nas últimas semanas, atingindo picos de 126 dólares por barril devido às tensões geopolíticas no Médio Oriente e disrupções no Estreito de Ormuz.

Embora tenha recuado ligeiramente nos últimos dias, fixando-se na casa dos 103 a 107 dólares por barril, esta subida acumulada gera pressões inflacionistas imediatas e ameaça desacelerar o crescimento económico em Portugal.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os combustíveis representam cerca de 8% do índice de preços no consumidor em Portugal. Quando o crude sobe, o efeito cascata é quase imediato nas bombas de gasolina e, dias depois, nos preços de praticamente tudo o que se compra nas lojas.

Porque é que o barril de petróleo está a subir?

Vários fatores explicam esta tendência. A OPEP+ decidiu manter os cortes na produção até ao final do segundo trimestre, o que apertou a oferta global. Ao mesmo tempo, a procura na Ásia — particularmente na China e na Índia — tem vindo a recuperar mais rapidamente do que o previsto. Ora bem, quando a procura cresce e a oferta não acompanha, os preços sobem por pura lógica de mercado.

Mas não é só isso. A tensão geopolítica no Médio Oriente voltou a intensificar-se, o que faz os investidores procurar refúgio em ativos como o petróleo. O resultado prático? Cada barril custa mais alguns dólares do que há um mês.

Quanto mais paga o consumidor português?

Para os profissionais que dependem de viaturas pesadas — distribuidores, transportadores, agricultores — o impacto é mais severo. A Associação Nacional de Transportadores Pesados de Mercadorias (ANTP) já alertou que muitos associados poderão ter de repassar os custos para os preços finais dos produtos.

O problema é que, dito isto, a situação não se fica pelo combustível. O petróleo está na base de inúmer commodities: plásticos, fertilizantes, asfalto, até medicamentos. Quando o crude sobe, sobe tudo.

Como Portugal importa a totalidade do petróleo que consome, os impactos negativos são transversais:

1. Disparo no Preço dos Combustíveis

  • O aumento do Brent reflete-se imediatamente nos postos de abastecimento nacionais.

  • Setores regionais já registaram agravamentos severos, com os combustíveis nos Açores a sofrerem subidas automáticas.

2. Agravamento da Inflação

  • O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que, caso a crise energética se prolongue, a inflação em Portugal poderá disparar até aos 4,2%.

  • O Banco de Portugal estima que cada subida de 10 euros no barril deteriora o saldo da balança energética em 0,6% do PIB.

3. Travagem no Crescimento do PIB

  • O encarecimento da energia funciona como um imposto sobre a produção, afetando os transportes e a indústria.

  • Analistas estimam que o prolongamento do conflito poderá cortar até 0,2 pontos percentuais no crescimento do PIB português.

4. Impacto Social Assimétrico

  • Segundo dados do Banco Central Europeu (BCE), o choque petrolífero penaliza severamente as famílias de menores rendimentos, que alocam uma fatia maior do orçamento a bens energéticos e alimentares.

Um volta ao passado?

Comparando com maio de 2025, o aumento é de aproximadamente 12%. Na altura, o barril rondava os 79 dólares. Para quem se lembra da crise energética de 2022, a memória ainda está viva — e a pergunta que muitos fazem é: iremos pelo mesmo caminho?

A diferença, segundo os analistas do Banco de Portugal, está na taxa de câmbio. O euro tem-se mantido relativamente forte face ao dólar, o que atenua parcialmente o impacto. Ainda assim, não evita a pressão.

O que pode fazer o consumidor?

Embora a situação seja preocupante, há medidas práticas que podem ajudar:

  1. Comparar preços entre estações de serviço — a diferença pode chegar aos 10 cêntimos por litro

  2. Planear viagens combine múltiplos assuntos para reduzir deslocações

  3. Verificar se o ISP oferece preços mais competitivos antes de encher o depósito

  4. Considerar modos de transporte alternativos para deslocações curtas

A DECO recomenda ainda que os consumidores fiquem atentos às promoções das gasolineiras e cartões de desconto disponíveis. «Poupar dez ou quinze euros por mês pode não parecer muito, mas ao fim do ano representa uma diferença significativa», refere a associação de consumidores.

Em resumo, a subida do barril de petróleo é uma realidade que vai continuar a afetar o dia-a-dia dos portugueses nas próximas semanas.

O melhor conselho? Prepare-se para pagar mais nos combustíveis e, sempre que possível, optimize os gastos.

A recuperação económica portuguesa ainda não estava plenamente consolidada — e esta stressor pode travar o ritmo.