A escalada de tensão entre os EUA e o Irão pode vir a beneficiar a China nas suas negociações comerciais com Washington.
Esta é a análise de vários economistas, que apontam para um cenário de triangulação estratégica que poderá alterar o equilíbrio das relações comerciais globais.
Os mercados reagiram com nervosismo. O barril de crude Brent ultrapassou os 95 dólares na última sessão, reflexo direto da incerteza que paira sobre o Estreito de Ormuz.
Ora bem, esta é precisamente a altura em que Xi Jinping pode jogar cartas que não estavam previstas no tabuleiro negocial.
Porque é que a China sai beneficiada? E não é só pela lógica simples de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo.
Pequim aproveita este momento para se posicionar como parceiro comercial alternativo ao Irão, mas também para pressionar Washington num momento em que os EUA necessitam de aliados na cena internacional.
Segundo dados do Banco Mundial, o comércio bilateral entre a China e os EUA ronda os 690 mil milhões de dólares anuais.
Qualquer variação estratégica neste tabuleiro tem implicações diretas nos preços que os consumidores portugueses pagam nas lojas.
Admitamos: nem sempre é fácil perceber estas conexões à primeira vista. 3 implicações para a economia portuguesa
Combustíveis: Uma subida prolongada do crude pode pressionar os preços na bomba, afetando diretamente o orçamento familiar;
Exportações: Empresas portuguesas que dependem de componentes chineses podem enfrentar custos acrescidos;
Turismo: A instabilidade no golfo Pérsico pode redirecionar turistas chineses para destinos europeus alternativos.
O que é certo é que o Governo de Pequim tem demonstrado uma capacidade notável para tirar partido de crises que não diretamente lhe dizem respeito.
Os analistas do FMI já alertaram que esta estratégia pode complicar as tentativas de Washington para formar um consenso internacional contra práticas comerciais consideradas desleais.
Na prática, o cidadão comum português pode não ver estas dinâmicas geopolíticas como relevantes para o seu dia-a-dia.
Mas a verdade é que o preço do azeite no supermercado, o custo da energia ou o valor das prestaçõessão influenciados por correntes que passam por Teerão, Pequim e Washington.
Pôr mãos à obra para diversificar fornecedores e reduzir dependências pode ser o conselho mais sensato que um agregado familiar português pode seguir nos próximos meses.
Em resumo, a sabedoria convencional diz-nos que a guerra é má para todos. Mas no xadrez geopolítico, há sempre quem ganhe com a desordem alheia.