Os EUA anunciaram ontem novas medidas restritivas que incluem o bloqueio de portos iranianos, numa escalada sem precedentes das sanções contra Teerão. A decisão, que visa cortar as rotas comerciais marítimas do Irão, já fez disparar os preços do crude nos mercados internacionais.
Na prática, esta medida vai afetar directamente as empresas europeias que ainda mantinham relações comerciais com o Irão, embora sejam poucas. O petróleo Brent, referência em Portugal, subiu 3,2% nas primeiras horas de negociação, ultrapassando os 92 dólares por barril. Uma subida que se sente na bomba de gasolina e que pode travar qualquer esperança de descida nos preços dos combustíveis.
Como é que isto afeta Portugal?
O nosso país importa pouca energia directamente do Irão, mas a verdade é que o mercado petrolífero funciona como um sistema de vasos comunicantes. Quando o crude sobe em Lisboa sente-se em Setúbal, no Porto e em todo o interior. As empresas nacionais, sobretudo do sector dos transportes e da indústria, vão enfrentar custos de produção mais elevados.
E não é só isso. As transportadoras marítimas portuguesas, como a Portline ou a Northeast Maritime, podem ver as suas rotas no Golfo Pérsico complicadas. O Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia significativa do petróleo mundial, está no centro de todas as atenções.
O que podem esperar os investidores?
Para quem tem posições em empresas do sector energético listadas na Euronext Lisboa, o cenário imediato aponta para ganhos. A Galp Energia e a Resende devem beneficiar deste rally petrolífero. Contudo, é preciso cautela: as bolsas costumam reagir em波, e o que sobe depressa pode descer mais depressa ainda.
Os analistas alertam ainda para o impacto potencial nos fretes marítimos. A Dover Fueling Solutions, com presença em Portugal, pode sentir pressões nas cadeias de abastecimento.
Dito isto, a questão central permanece: estamos perante uma escalada que pode degenerar em conflito aberto? O Irão já ameaçou represálias, e os mercados hates de incerteza. O PSI-20 conseguiu recuperar alguma terreno ao longo do dia, mas a volatilidade deve manter-se nas próximas semanas.
Para o consumidor português, a mensagem é clara: não contem com descidas nos preços dos combustíveis a curto prazo. Para os investidores, vale a pena rever posições em energia e manter umaalmofada de liquidez para aproveitar oportunidades que a instabilidade sempre cria.